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Como se faz a tinta de uma pintura rupestre?


Galerinha,

vídeo abaixo está no Youtube e diz como eram feitas as tintas que homens do Paleolítico usavam para as pinturas na pedra (ou rupestres).

 

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O que é pintura rupestre?


Esse é um tema muito interessante! Lembro-me de quando tinha a idade de vocês e aprendi, no 6º ano, sobre os homens do paleolítico e sua forma de viver e se expressar. Confesso que fiquei encantada quando vi as imagens das pinturas rupestres! As fotografias me levaram numa viagem imaginária até à Idade da Pedra Lascada e foi incrível! Os aspectos culturais das sociedades humanas sempre me encantaram. É muito bacana perceber como as formas de pensar, sentir e agir mudam de uma época para outra e algumas permanecem quase que de maneira inalterada!

As maneiras como os seres humanos se comunicam e se expressam mudaram muito ao longo do tempo. Hoje, usamos os celulares e a internet (e todos os inúmeros recursos que disponibiliza) para conversarmos, nos mantermos bem informados. Há alguns anos, dependíamos das cartas, dos telegramas, etc.  Em termos artísticos, conhecemos o teatro, os livros, o cinema.  Já pensaram como os homens das cavernas se expressavam?

Os homens do Paleolítico usavam as pinturas ou arte rupestre. Chama-se assim pois são pinturas feitas nas rochas, nas paredes de cavernas. Geralmente, as imagens representam cenas de caça de bisões, mamutes, rinocerontes, renas, bois e cavalos selvagens.

Aqueles homens acreditavam que o desenho tinha o poder de atrair o animal para perto do grupo.

As tintas eram feitas de carvão terra, sangue e minerais moídos e aplicados com as mãos, plumas de aves, peles de animais, lascas de madeira e punhado de musgo.

A utilização e o significado do sítio rupestre


Que eram os lugares com pinturas e gravuras rupestres? Lugares de passagem? De habitação? Ou santuários? Pela estrutura fechada da caverna e o mistério que nelas se encerra, as cavernas paleolíticas da Europa foram consideradas os santuários pré-históricos por excelência, mas o que dizer dos abrigos e paredões nada profundos dos sítios rupestres do Brasil ?

Muitos deles não foram ocupados por falta material de condições e o homem limitou-se a pintar e gravar suas paredes. Outros, pelo contrário, tiveram ocupação intensa e duradoura, servindo como lugar de habitação e de culto em épocas diversas. Mas, em geral, quando os abrigos pintados foram utilizados como lugares cerimoniais, não foram simultaneamente ocupados como habitação. Um abrigo tão privilegiado pela situação, como a Toca do Boqueirão da Pedra Furada , teve ocupação longa, não intensa, o que parece ser a tônica dos abrigos rupestres do Nordeste, indicando que foram usados como lugares de culto e acampamentos temporários cerimoniais; a moradia dos grupos humanos seria em aldeias, fora dos abrigos pintados. Noutros casos foram utilizados simultaneamente como lugar de culto e cemitério.

O tipo de suporte e a estrutura são elementos essenciais e determinantes para se compreender o sítio rupestre e a sua utilização. Os abrigos localizados no alto das serras, ao longo dos rios, como é o caso da região do Seridó, nos sugere serem lugares cerimoniais, longe das aldeias, que deveriam estar situadas mais perto da água. Já os sítios da Serra dos Cariris Velhos, entre a Paraíba e Pernambuco, situados em lugares de várzea, piemonte ou “brejos”, mesmo sendo também lugares de culto, nos dão a impressão de uma utilização habitacional, mesmo que temporária, ou talvez lugar de culto perto da aldeia do grupo.

 

Arte rupestre no Brasil


Considera-se arte rupestre as representações sobre rochas do homem da pré-história, em que se incluem gravuras e pinturas.

 

Acredita-se que estas pinturas, cujos materiais mais usados são o sangue, saliva, argila, e excrementos de morcegos (cujo habitat natural sâo as cavernas), têm um cunho ritualístico.

Normalmente os desenhos são formados por figuras de grandes animais selvagens, como bisões, cavalos, cervos entre outros. A figura humana surge raramente, sugerindo muitas vezes actividades como a dança e, principalmente, a caça, mas normalmente em desenhos esquemáticos e não de forma naturalista, como acontece com os dos animais. Paralelamente encontram-se também palmas de mãos humanas e motivos abstratos (linhas emaranhadas), chamados por Henri Breuil de macarrões.

Nos sítios espalhados pelo mundo, é padrão encontrar, além dos desenhos parietais, figuras e objetos decorativos talhados em osso, modelados em argila, pedra ou chifres de animais.

 

A Arte rupestre no Brasil

Podemos afirmar que o registro rupestre é a primeira manifestação estética da pré-história brasileira, especialmente rica no Nordeste. Além do evidente interesse arqueológico e etnológico das pinturas e gravuras rupestres como definidoras de grupos étnicos, na ótica da história da Arte representa o começo da arte primitiva brasileira. 

O pintor que retratou nas rochas os fatos mais relevantes da sua existência, tinha uma visão sobre o seu mundo.  A intenção prática da sua pintura podia ser diversificada, variando desde a magia ao desejo de historiar a vida do seu grupo, porém, de qualquer forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse “belo” segundo seus próprios padrões estéticos. Ao realizar sua obra, estava criando Arte.

Se as pinturas de Altamira, na Espanha, ou as da Dordonha, na França, são consideradas, indiscutivelmente, patrimônio universal da arte pré-histórica, sabemos entretanto que, pintadas nas profundidades das cavernas escuras, não foram feitas para agradar ninguém do mundo dos vivos, não há motivos aceitáveis para se duvidar ou negar a categoria artística das nossas expressivas e graciosas pinturas rupestres do Rio Grande do Norte ou do Piauí.

Foi precisamente nos sertões nordestinos do Brasil. onde a natureza é particularmente hostil à ocupação humana, onde se desenvolveu uma arte rupestre pré-histórica das mais ricas e expressivas do mundo, demonstrando a capacidade de adaptação de numerosos grupos humanos que povoaram a região desde épocas que remontam ao pleistoceno final. No estado atual do conhecimento, podemos afirmar que três correntes, com seus horizontes culturais, deixaram notáveis registros pintados e gravados nos abrigos e paredões rochosos do Nordeste brasileiro. A esses horizontes chamamos tradição Nordeste, tradição Agreste e tradição São Francisco de pinturas rupestres, somam-se as tradições de gravuras sob rocha, conhecidas como Itaquatiaras. Foram também definidas outras tradições chamadas “Geométrica”, “Astronômica”, “Simbolista”, etc. que podem ser incluídas nas anteriores.

Fonte:Arte Rupestre Brasileira